TEMPOCLIMA ENSINA: Interferências da Temperatura nos Animais

A temperatura do ambiente em que vivemos pode influenciar na vida dos seres vivos. Como, por exemplo:


  • *Apetite;

  • *Reprodução;

  • *Metabolismo;

  • *Desenvolvimento/crescimento;

  • *Comportamento;


Todos os processos que ocorrem no organismo para manter seu funcionamento necessitam de uma temperatura adequada. Por isso, é fundamental que os seres vivos disponham de estratégias para regular a temperatura do corpo.



De acordo com essas estratégias, os animais podem ser classificados em grupos:

GRUPO 1 Classificação: De acordo com a fonte de calor externa que determina a temperatura do animal.

Dentro deste Grupo têm-se os animais: Ectotérmicos X Endotérmicos.


* Animais Ectotérmicos ou Heterotérmicos: são aqueles que não conseguem produzir calor suficiente para se aquecer, portanto, dependem da temperatura do ambiente em que vivem para que recebam calor. Sendo assim, sua temperatura corporal varia de acordo com a temperatura do ambiente. Para sobreviver, animais como os lagartos refugiam-se do frio ou se expõem ao calor para poder regular sua temperatura corporal. Exemplos: Peixes, anfíbios, cobras, lagartos, etc.


Fonte: https://pt.dreamstime.com/photos-images/lagarto-do-deserto-na-rocha.html.

Fonte: http://misteriosdomundo.org/peixes.

Fonte: http://www.mundobiologia.com/2015/09/qual-a-diferenca-entre-
tartaruga-jabuti-e-cagado.html.

Fonte: http://www.vitalbrazil.rj.gov.br/galeria17/piton-albina.jpg.
* Animais Endotérmicos ou Homeotérmicos: são aqueles que conseguem manter sua temperatura corporal constante independente da variação de temperatura do ambiente, porém, esses animais dependem principalmente da sua alimentação para ajudar na manutenção da temperatura do corpo. Exemplos: Aves e mamíferos.


Fonte: http://ultradownloads.com.br/papel-de-parede/Arara--105758/.

Fonte: http://spacenews.com.br/2015/11/05/o-leao/.
De acordo com essas estratégias saiba que os animais podem ser classificados em grupos:

GRUPO 2 Classificação: De acordo com a tolerância do animal à variação de temperatura do ambiente.

Dentro deste grupo têm-se os animais: Estenotérmico X Euritérmico.


*Animais Euritérmicos: são aqueles que suportam grandes variações de temperatura. Exemplos: Lobo, Homem, Raposa do deserto, Camelo.


Fonte:http://animaisselvagensbr.blogspot.com.br/.

Fonte: http://www.megacurioso.com.br/animais/73020-camelo-
ou-dromedario-5-fatos-curiosos-a-respeito-dos-imensos-bichos.htm.
*Animais Estenotérmicos: ao contrário dos euritérmicos, esses animais não suportam grandes variações de temperatura.Exemplos: Lagartixa, Lagosta.


Fonte:http://zoologicovirtualdokoba.blogspot.com.br/2011/11/lagartixa-domestica.html.

Fonte: http://forum.jogos.uol.com.br/_t_3060117.

Para regulação da temperatura corporal e evitar os distúrbios provocados pelo estresse térmico, os animais apresentam um conjunto de estratégias, chamadas de "termorregulação", que mantém a temperatura do corpo dentro de certos limites mesmo quando a temperatura do ambiente é diferente.



A termorregulação divide-se em dois tipos:

* FISIOLÓGICA: São alterações na forma ou estrutura do animal que permitem que eles resistam a temperaturas desfavoráveis para sua sobrevivência:

  • Revestimento corporal: pele, pêlos, penas, lã;

  • Pigmentação da epiderme (pelagem escura apresenta maior absorção e menor reflexão da radiação térmica, os pelames claros apresentam maior penetração da radiação solar);

  • Tremores (produz calor pela contração muscular);

  • Sudorese;

  • Vasoconstrição (evita que o corpo perca calor para o meio exterior);

  • Vasodilatação (perda de calor para o meio exterior);

  • Piloereção (permite reter uma espessa camada de ar isolante em contato com a pele, para diminuir a transferência de calor para o meio ambiente.);

  • Mudança da cor do pelo de acordo com o ambiente;

  • Existência de uma camada espessa de gordura;

  • Extremidades de diferentes dimensões: orelhas, focinhos.



* COMPORTAMENTAL: Quando o animal promove alterações comportamentais para equilibrar a temperatura corporal e buscar atingir conforto térmico:

  • Hibernação: Para sobreviver à mudança das estações, alguns animais necessitam diminuir a sua atividade, o animal se mantém em abrigos, tocas ou galerias, e entra em estado de dormência profundo e prolongado, a fim de resistir às baixas temperaturas do inverno, se alimentando apenas das reservas de gordura acumuladas no verão; podem durar semanas ou meses, estado esse em que ocorre queda de temperatura corpórea e do metabolismo.

  • Estivação: Em meio às altas temperaturas, o animal entra em período de inatividade.

  • Migração: deslocamento de animais de uma zona para outra, na procura de melhores condições ambientais e de sobrevivência, pode ser migrações temporárias ou permanentes.

  • Exposição ao sol (trocas de calor);

  • Procura por sombras (elevadas temperaturas do meio externo);

  • Modificação da postural corporal.





 Existe uma faixa de temperatura que é confortável para o animal, essa faixa é conhecida como “zona de termoneutralidade ou de conforto térmico”, onde o animal não terá que produzir ou perder calor. Nela não irá ocorrer estresse térmico, que é resultado da incapacidade do animal em perder calor para manter a sua temperatura constante. Para a produção animal, essa condição é ideal, pois o animal irá aproveitar ao máximo os nutrientes obtidos na sua alimentação para crescimento, manutenção e produção de carne, leite e ovos.


Sob condições de estresse pelo frio ou calor, os mamíferos e as aves utilizam mecanismos fisiológicos (funcionamento do organismo) de produção ou perda de calor para manter a temperatura corporal constante. Porém, expostos a esta condição, podem apresentar uma hipotermia ou hipertermia, que representam uma temperatura corporal baixa ou elevada, respectivamente, podendo levar a inúmeras doenças respiratórias, bacterianas e virais, logo, isso também irá acarretar na redução da produtividade de leite, ovos, carne e pode até levar a morte.


De forma geral, se um animal for colocado em um ambiente que não é o seu habitat natural, ele pode não se adaptar e terá seu bem estar comprometido, pois cada animal tem um grau diferente de tolerância às temperaturas. Por exemplo, se um criador de gado criar uma espécie de vaca típica de regiões frias em uma região quente, a mesma sofrerá um estresse térmico, o que irá prejudicar seu ciclo reprodutivo, além de comprometer a produção de leite e gerar perdas reprodutivas, como podemos observar na figura abaixo:  


Fonte: http://www.bicarz.com/pt/breeding-performance/productivity/heat-stress/index.html.

 Os efeitos da temperatura também poderão provocar estresse térmico na reprodução animal. Isto porque nas fêmeas de várias espécies a elevação da temperatura do útero resulta na diminuição do fluxo sanguíneo, criando um ambiente impróprio ao embrião e podendo causar o aborto. Além de diminuir a taxa de fecundação, provocam também a diminuição na duração do período reprodutivo, causando ainda anormalidades nos óvulos e a taxa de crescimento do embrião diminui.


Nos machos, nas épocas mais quentes do ano, ocorre uma diminuição da fertilidade, provocando a diminuição do sêmen e afetando a sua qualidade, além de haver maior formação de espermatozoides anormais. Deste modo, animais em temperaturas muito elevadas podem até perder a capacidade de se reproduzir e gerar filhotes. Vale ressaltar que, estas consequências citadas acima, variam de acordo com a espécie e em conjunto com vários outros fatores.


Por isso, as adaptações e estratégias para regular a temperatura do próprio corpo é de extrema importância para o bem-estar dos animais, para que seu organismo fique em equilíbrio mesmo com as variações do meio em que vivem.  





 As condições meteorológicas como: temperatura, umidade do ar, radiação solar, ventos, chuva, nebulosidade, afetam a vida dos animais, sendo, portanto, a previsão do tempo muito importante para a área de produção animal. Por exemplo, considerando a necessidade do animal em relação às condições ambientais, os criadouros podem pegar dados meteorológicos característicos de uma região e realizar um planejamento eficiente do ambiente e abrigo para criação dos animais, gerando condições favoráveis, verificando a região com condições ideais para o animal onde ele terá um desempenho melhor, evitando assim o desconforto térmico e preservando a saúde do animal.


Um exemplo são os leitões criados em regiões de clima tropical que se caracteriza por temperaturas elevadas, mas que ao longo do dia acontecem variações da temperatura que algumas vezes podem atingir valores abaixo da zona de conforto térmico desses animais (30 a 32ºC). Os leitões são mais vulneráveis ao frio quando nascem e, como consequência da perda de calor, ocorre um aumento no gasto de suas reservas energéticas para tentar se aquecer, desvios dos nutrientes da produção para manter a temperatura do corpo e maior ocorrência de infecções. Já quando a temperatura atinge valores acima da sua zona de conforto térmico, outras maneiras de perder calor são acionadas: os leitões comem menos, andam menos e como resultado disso demoram mais para chegar ao peso ideal, o que resulta na perda de produção de carne.


Ocorreu em 2014, no município de Coxim, norte do Mato Grosso do Sul, um caso verídico onde o frio causou mais de mil mortes de bovinos em fazendas locais. Os animais morreram por hipotermia, ou seja, a temperatura do corpo do animal caiu abaixo do normal. Isto porque as temperaturas baixaram muito em pouco tempo, além da sensação térmica que ficou ainda menor, somadas às chuvas que aconteceram em grande volume. Como aqueles bovinos não possuíam grande resistência a temperaturas baixas, e também no local não havia abrigos e nem árvores para se protegerem, eles acabaram sofrendo com o processo de hipotermia e morreram.


Fonte: Fonte: http://spnews-spnews.blogspot.com.br/.

Fonte: http://www.milkpoint.com.br/radar-tecnico/bemestar-e-comportamento-animal/vantagens-do-manejo-do-estresse-calorico-em-gado-leiteiro-86072n.aspx.

Para evitar ou diminuir influências como essas da temperatura na produção animal, é necessário conhecer as zonas de conforto térmico de cada espécie, bem como os mecanismos fisiológicos e comportamentais que os animais utilizam para manter o seu equilíbrio térmico, pois de acordo com essas informações pode-se encontrar maneiras de melhorar as condições do local onde os animais são criados. Em regiões com temperaturas altas e baixa umidade do ar, por exemplo, pode-se instalar nos criadouros ventiladores e pulverizadores de água para diminuir a temperatura, ou abrigos com aquecedores para manter a temperatura ideal do animal, gerando uma zona de conforto térmico e resultando, assim, numa alta produtividade para o mercado.


Referências Bibliográficas

  1. -COSTA, M.P. Primeiro Ciclo de Palestras Sobre Bioclimatologia Animal. Botucatu: FUNESP. 1989.

  2. -ENCARNAÇÃO, R.O. Estresse térmico e produção animal. In: CICLO INTERNACIONAL DE PALESTRAS SOBRE BIOCLIMATOLOGIA ANIMAL, 1, 1989, Jaboticabal. Anais... Jaboticabal: FUNEP, 1989. p. 111-129.

  3. -RODRIGUES, Andrea. Fatores Ecológicos. Disponível em: <http://www.hidro.ufcg.edu.br/twiki/pub/CienciasAmbienteAndrea/MaterialDaDisciplina/Aula4_Fatores_Ecologicos.pdf>.

  4. -ROQUE, Mariana Rhaylla de Oliveira. Disciplina de Bioclimatologia e Melhoramento Animal” Curso de Medicina Veterinária Faculdade Anhanguera Dourados. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/marianarhaylla/ao-da-temperatura-sobre-os-animais-domesticos>.

  5. -TAKAHASHI, Leonardo Susumu, Jaqueline D. Biller, Karina M. Takahashi Bioclimatologia zootécnica -- Jaboticabal : 2009. 1ª edição. 91 p.

  6. -RICCI, G. D. et al. Estresse calórico e suas interferências no ciclo de produção de vacas de leite - Revisão. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia - UNESP - Campus de Botucatu. 2013. Disponível em: <http://www.fmvz.unesp.br/rvz/index.php/rvz/article/view/187/460>.

  7. -MEDEIROS, Luís F. D., VIEIRA, D. H. Bioclimatologia Animal. Ministério da Educação e Cultura. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Instituto de Zootecnia. 1997. Disponível em: <http://wp.ufpel.edu.br/bioclimatologiaanimal/files/2011/03/Apostila-de-Bioclimatologia-Animal.pdf>.

  8. -MORAES, Ismar Araújo de. Termorregulação nos Animais. Departamento de Fisiologia e Farmacologia - Universidade Federal Fluminense. 2014. Disponível em: <http://www.uff.br/fisiovet/termorregulacao_2014_ismar.pdf>.

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